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31 de ago. de 2014

"Voar, voar...subir, subir"

    História Relatada pelo Agente Comunitária de Saúde Andréa Maria Kirton
    Hoje,o Conheça essa história, conta uma história de superação e de colaboração, continuando com a série de relatos sobre as histórias dos maiores beneficiados da nossa unidade: Os Cadastrados.
 Como é importante para o profissional essa volta por cima.
   Publicada na Revista Digital do Viva Favela, (http://vivafavela.com.br/19-gente/518-as-varias-denises), Denise Melo, além de Profissional da Clínica, conta um pouco da sua trajetória de vida e de como a Clinica da Familia mudou a sua vida. 


 "Mulata bossa nova/caiu no HullyGully/e só dá ela!"... Os versos de João Roberto Kelly, originalmente destinados a Vera Lúcia Couto, primeira miss negra brasileira, lembram um pouco da história e da figura de Denise Melo, de 49 anos. A agente comunitária de saúde da Clínica da Família Souza Marques, em Madureira, já foi Denise Ryan, Denisinha, Denise Bumbum de Ouro ou ainda Denise Shortinho. Do concurso Miss Brasil Afro aos bares malfamados de Córdoba, na Argentina, Denise relata uma trajetória cheia de altos e baixos, rodando o mundo fazendo shows de mulata.

O começo
   Denise começou sua carreira artística com 15 anos, como bailarina clássica. A carreira, no entanto, logo foi abandonada, pois sua família não podia pagar pelos custos dessa empreitada. “Além disso, há alguns anos atrás, era muito difícil as pessoas apoiarem uma negra no balé clássico. Quem iria acreditar que eu seria uma nova Mercedes Batista?”, afirma, referindo-se à primeira bailarina negra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Como mulata de show, as perspectivas eram outras. Ainda com 15 anos, recebeu um convite para fazer apresentações no Japão. Foi preciso muita insistência para que sua mãe assinasse uma liberação, no Juizado de Menores, para ir à “terra do sol nascente”. Ali, ganhou uma nova família: por ser a caçula do grupo de mulatas, ritmistas e intérpretes, a vigilância sobre ela acontecia 24 horas ao dia.
“Ter ido ao Japão foi uma satisfação enorme. Não tive nenhum choque cultural, muito pelo contrário, fiquei maravilhada com a cultura japonesa. O país é super desenvolvido, não se vê mendigos pelas ruas, não se vê lixo exposto e o brasileiro lá é muito querido e bem tratado”, conta, lembrando também de um momento triste: a visita às cidades de Hiroshima e Nagasaki, atingidas por bombas atômicas na 2ª Guerra Mundial. “Mesmo após tanto tempo do atentado, pude sentir o sofrimento e a tristeza daquele lugar”, lamenta. Até hoje, Denise diz levar um pouco da cultura e da culinária japonesa para sua vida.

Volta ao mundo
   O Japão foi apenas a primeira parada de anos de viagem ao redor do mundo. Ela conheceu a Alemanha (na época dividida entre Oriental e Ocidental), Itália, Marrocos, Estados Unidos, Colômbia e Argentina – onde morou por três anos. “Gostei muito do Japão, da Argentina e dos Estados Unidos. Na Colômbia, me senti desconfortável com o tráfico, muito exposto, e com a sujeira. De qualquer forma, em todos os países que passei fui muito bem tratada, não sei se por conta do meu carisma ou da minha beleza”, brinca Denise. Sempre que podia, Denise voltava ao Brasil para visitar a família ou realizar trabalhos.

Prostituição
   Já maior de idade, Denise enfrentou o que ela acredita ser o dilema da sua vida: a prostituição. Ela trabalhava em uma boate perto do cais do porto na região de Córdoba, Argentina, onde após os shows, servia bebidas e fazia programas. “Era uma casa velha, com vários quartos. Quando tudo acabava, eu estava tão bêbada que me sentia suja e envergonhada. Ao mesmo tempo, vinha a satisfação de ter feito dinheiro e poder mandá-lo para a minha mãe aqui no Brasil”, conta.
   Apesar de algumas experiências traumáticas, ela lembra que tinha consciência do que estava fazendo. “Nós estávamos cientes de tudo e com isso respondíamos pelos nossos próprios atos. Quando penso na prostituição, a profissão não é indigna. Eu tinha o direito de escolher se ia fazer ou não. A necessidade em ajudar a minha família falou mais alto”, conta. Foram nove anos de prostituição que não são escondidos de suas filhas, Ana Letícia, de 16 anos, e Ana Luiza, de 8. “Eu não escondo nada delas nem dos meus familiares. Precisamos ter uma relação de amizade e de cumplicidade com nossos filhos”, diz, emocionada.

Fama
   Na década de 80, Denise já era bem conhecida no meio carnavalesco. O apelido “Denise Bumbum de Ouro” veio de J. Brito, conhecido fotógrafo de mulatas. Como Denise Ryan (seu nome artístico), ela trabalhou com outros grandes nomes do carnaval, a exemplo de Ivon Curi e João Roberto Kelly. Ela lembra que este contato lhe promoveu auto-estima eperseverança.
   “No carnaval e durante o ano, eu fazia shows com a escola de samba Mangueira, minha escola de samba do coração. Também já desfilei na São Clemente, Vila Isabel e Portela”, conta Denise, lembrando que seu tio Rodolfo é um dos compositores do samba campeão “Kizomba, festa da raça”, da Vila Isabel.
   Além de suas raízes carnavalescas, sua beleza também a levou mais uma vez longe. Em 1988,Denise ganhou o prêmio Miss Brasil Afro na etapa do estado do Rio e, posteriormente, na etapa nacional. Em 1989, participou do júri do concurso.
Apesar de todas as coisas boas que a fama trouxe, ela lembra às novatas que é preciso manter a cabeça no lugar. “Entre dez mulatas que vão pra fora em busca de melhores condições de vida, uma ou duas, no máximo, conseguem. Você só serve quando está jovem, com a pele bonita e corpão. Se enrugar um pouquinho ou ganhar peso, você não serve para ser mulata. Se é isso o que você quer, invista, mas não faça da vida somente um show. Se estruture e se prepare para o futuro”, aconselha.
   Denise acredita que a valorização da mulata e a exposição do corpo é positiva. “A beleza negra hoje no Brasil está em alta. O negro passou a ter um espaço, um valor. A exposição na mídia é linda, glamorosa e super natural. Se eu ainda tivesse o corpo de antes, também o mostraria”, exalta.

Retorno ao Brasil
   Denise só reconheceu que era hora de parar em 1995. Para ela, toda mulata de show sonha em viajar e, ao retornar, investir sua verba em bens e estudo. Com ela não foi diferente. Logo tratou de fazer um curso técnico de Enfermagem, área na qual passou a trabalhar. Ocasionalmente, no entanto, ela ainda fazia trabalhos com o músico Amir Saint-Clair. Nesta época, se tornou mãe.
   Criada em Copacabana, hoje Denise é moradora de Madureira e se diz feliz. “Passei por muitas coisas na vida e hoje, como agente comunitária de saúde, elas me ajudam a ser tolerante e a valorizar coisas que antes eu não me dava conta”, diz. Na clínica em que trabalha, é admirada por sua história pelos colegas, que a chamam de “Denise Shortinho”.
    Denise, na sua função de agente de saúde conta que tem que enfrentar um leão por dia e para dar a melhor assistência aos seus cadastrados e aos usuários da unidade.
    Ela conta não ter mais muito envolvimento com o mundo do samba, a não ser nos encontros anuais com suas antigas colegas de show. “Rola muitos sentimentos ao contar minha história. Levo algumas tristezas, mas também muitos aprendizados, como meu desenvolvimento artístico e pessoal. Faria tudo de novo igual, ou até melhor”, resume


 
Clíque aqui para ver mais fotos.



15 de ago. de 2014

O preço da Coragem

    História Relatada pelo Agente Comunitária de Saúde Denise Melo
    Hoje, a nossa Clínica da Família continua com a série de relatos sobre as histórias dos maiores beneficiados da nossa unidade: Os Cadastrados. E para começar essa série de relatos, nada melhor do que uma história de conscientização e superação;

     “Olá, meu nome é Kelly, sou cadastrada da equipe Fubá, tenho 30 anos e sou casada com Nilton. Tenho quatro filhos e o ultimo nasceu prematuro. Uma vida digna e humilde a ser contadas como superação de vida.
          A minha 1°gravidez foi um pouco difícil. Ela foi muito desejada, mas com 8 semanas tive um aborto. Logo depois queria já engravidar novamente, mas não conseguia. Depois de 2 anos tentando, consegui engravidar da minha filha Juliana. Minha gravidez estava indo muito complicada. No começo tive sagramentos, mas graças a Deus que consegui segurá-la. Porém, no 5° mês de gestação tive inchaços que me castigavam. Fiz o acompanhamento dessa gestação com a Enfermeira Graça e a Agente darliene ia semanalmente saber como eu estava, devido a
Ser uma gestação de risco.
     Com 38 semanas de gestação estava dormindo quando minha bolsa rompeu. Fui para o hospital e tive a Juliana às 11:30 no dia 29/02/1992. Ela nasceu com 3750 gramas e com 58 cm.
     Só pude vê-la mesmo no dia seguinte. O mais difícil foi o dia seguinte, em ver aquele bebezinho tão frágil e indefeso e eu ali, admirada com tanta beleza. Tão gordinha, parecia uma pérola negra.
      Depois de dois dias, minha filha teve alta. Foi o dia mais feliz da minha vida! Eu e meu marido nos abraçamos e choramos muito por essa vitória!
      Cuidei cada minuto, aprecia que estava cuidando de uma bonequinha. Aprendi, quando frequentei o grupo de gestantes do posto de saúde, a dar banho, a ajeitar ela, a amamentar. Era um sonho;  Hoje agradeço a Deus por ter me dado uma filha que já está com 12 anos, linda, forte e inteligente.
      Agora vou contar a minha outra história de superação de vida; outro filho:
     Depois de ter tido a Juliana, tive duas gravidez não planejada: O Victor Hugo e a Maria Clara, planejamos ter outro filho. Participamos das reuniões do Planejamento familiar, ao lado da Enfermeira Eliane Victorino, e com o meu amrido, planejamos o quarto filho. Já sabia do meu problema em ter filhos prematuros, pois tenho o útero bicorno. Mas mesmo assim não desanimei em ter outro filho. Claro, fica mais difícil de engravidar.
      Um belo dia parei de tomar remédio e depois de 6 meses veio a notícia que estava grávida novamente! Pra mim foi a maior felicidade do mundo, ainda mais com 3 meses! Já sabia que seria um menino, eu iria ficar com dois casais.
     A gravidez foi muito tranquila, não tive dores e nem sangramento. Os médicos acreditavam que eu iria conseguir chegar até os 9 meses, mas não consegui. Estava dormindo e minha bolsa novamente rompeu; aquela imagem… estava passando tudo novamente em minha cabeça, o que há 4 anos atrás já tinha passado.
     Fui ao hospital e às 10:30 Nykolas nasceu, com 1.600g e 41cm, de 31 semanas. Aí começava a minha via sacra: ir no hospital todos os dias visitá-la. Maria clara ficou 2 vezes sem respirar para o meu desespero, mas graças a Deus correu tudo bem. E o tempo foi passando… até que um belo dia ligaram (depois de 40 dias): o Nykolas estava de alta! Pra mim foi mais uma vitória conquistada!
Quando cheguei em casa, já havia uma equipe me esperando: Dr. Marcos, a ACS Darliene estavam aguardando a minha chegada.
Participei de cada consulta sempre acompanhada o meu marido, durante esses dois últimos anos. Consultas mensais.
     Eu nunca desanimei, viu? Sempre me peguei a Deus, que me deu 2 filhos prematuros: algo Ele tinha pra mim.
     Hoje meus filhos são vitoriosos e vencedores, Eles lutaram muito para estar aqui comigo hoje e por isso agradeço muito, mas muito a esse DEUS maravilhoso que me deu 4 vidas milagrosas. Apesar de todo o sofrimento que passei e eles passaram, valeu a pena.

     Queria dizer para quem estiver passando por isso que não desanime porque DEUS dá o fardo pra carregar, olha a minha história linda de superação...”

* Os cadastrados tiveram seus nomes alterados para manter a descrição. 




26 de jul. de 2014

Desistir jamais!

     História Relatada pelo Agente Comunitário de Saúde Amilton Deça
     Hoje, a nossa Clínica da Família continua com a série de relatos sobre as histórias dos maiores beneficiados da nossa unidade: Os Cadastrados. E para começar essa série de relatos, nada melhor do que uma história de conscientização e superação;   

   Quando eu tinha 28 anos de idade fui diagnosticado com tuberculose.
    E para essa doença, só existe tratamento para a doença nos postos de saúde e eu nunca pisei numa unidade como essa, para mim era um absurdo, afinal de contas eu sempre tive dinheiro e porque iria pisar num local como esse? 
   Nesse dia, ao passar muito mal, minha mãe resolveu me levar em um posto não muito longe de casa, e fui atendido pelo Dr. Marcos. O medico calmamente conversou comigo e no meio da minha consulta diagnosticou tuberculose. Entrei em desespero. queria sair dali, queria gritar. não sabia o que fazer, só me perguntava: porque comigo?
  O doutor, continuando o atendimento, pediu uma serie de exames, a baciloscopia e o PPD. Fiz e quando recebi o resultado, entrei em desespero novamente. a doença tinha se confirmado. Não sabia mais o que seria da minha vida. e agora?
   Ele me passou os remédios que eu precisava para o corpo, mas percebeu o quanto eu estava abalado, e até amedrontado com a doença. 
   Então, o mesmo me tranquilizou. Conversou comigo e explicou que esse tratamento era um tratamento coletivo, onde o meu agente, junto com a técnica de enfermagem, a enfermeira e o medico passariam juntos. Achei loucura, mas topei.
   Todo dia, pontualmente as 08 horas da manha, o agente comunitário chegava a minha casa levando o remédio. Conversava comigo e me orientava.
    Uma vez por semana, a técnica vinha também e me tranquilizava. A cada duas semanas, recebia a enfermeira que me dava palavras de incentivo e orientava sobre a doença e mensalmente via o medico. O tratamento foi um sucesso, e aqui estou eu hoje, sadia e temente a Deus.

*Nome das pessoas foram alterados para preservar a identidade do paciente

17 de jun. de 2014

Somos mais que Agentes...

    História Relatada pelo Agente Comunitária de Saúde Monique Goulart
    Hoje,o Conheça essa história, conta uma história de superação e de colaboração, continuando com a série de relatos sobre as histórias dos maiores beneficiados da nossa unidade: Os Cadastrados.
 Como é importante para o profissional essa volta por cima.

" Nem acredito que isso aconteceu comigo.
   Gostei muito, mesmo, de ter sido visitada pela agente de saúde. Fiquei mais tranquila.
   Falei sobre o parto e como foi no hospital. Achei ótimo que já me trouxeram a consulta agendada para o dia seguinte. Mas eu gostei, porque vi que se interessam pela gente. De qualquer maneira, mesmo que eu não tivesse sido visitada, teria ido consultar.
   Consultei no sexto dia após o nascimento do meu bebê. Achei importante ter sido questionada sobre como eu estava me sentindo, como estava amamentando e quais eram os hábitos normais do bebê, principalmente de sono e de horário livre para amamentação e principalmente falado sobre os cuidados com o bebê, principalmente de como cuidar do umbigo, que é uma coisa que me deixava com muito medo. Eu estava um pouco perdida: é o meu primeiro filho, não conhecia o posto e fiz o pré-natal com médico do convênio.
   A gente sabe que existem algumas mães que acham que, como o bebê saiu há pouco do hospital, não é preciso consultar em seguida no posto.
   Achei um sinal de interesse e também foi bom porque já trouxeram a data e hora da consulta marcada. Já fui até lá, fiz o teste do pezinho no meu filho, apliquei a vacina BCG nele e hoje mesmo estou indo consultar.
    Gostei muito de como fui atendida. Vou seguir levando meu filho à Souza Marques sempre para que ele seja consultado."

*Paciente não foi indicada para manter a sua privacidade.



* Agente Comunitária Monique Goulart
E-mail: equipedinisbarreto@gmail.com

19 de nov. de 2013

"Aos Olhos do Pai"

História Relatada pelo Agente Comunitária de Saúde Kizzes Daiane de Jesus    Hoje, a nossa Clínica da Família continua com a série de relatos sobre as histórias dos maiores beneficiados da nossa unidade: Os Cadastrados. E para começar essa série de relatos, nada melhor do que uma história de conscientização e superação;

Aos olhos do Pai,
Você é uma obra prima
Que Deus planejou,
Com suas próprias mãos pintou
A cor de sua pele
Os seus cabelos desenhou
Cada detalhe,
Num toque de amor

   Numa quinta-feira, às 2horas da madrugada, eu acordei com gritos próximos à minha residência. Chamei meu esposo para, então, me localizar sobre o que estava acontecendo. Aí ele foi ver o que estava acontecendo do lado de fora e se deparou com uma cena inusitada: Foi uma cadastrada da minha equipe, vizinha minha, que estava dando a luz. Então ele entrou, atordoado, e me chamou para ajudar a minha vizinha, Dona Francisca Lira, que estava dando a luz. Rapidamente apressei-me para ir ao encontro dela e acalmá-la. No momento que eu cheguei e vi a cena, o que realmente estava acontecendo, dei Graças a Deus que a enfermeira da Cegonha Carioca acabou de chegar! Então nós ficamos ajudando-a, porque o parto teria que ser feito ali mesmo. Ficamos dando auxílio, acalmando até o nascimento da criança. 


Você é linda demais,

Perfeita aos olhos do Pai
Alguém igual a você
Não vi jamais
Princesa linda demais
Perfeita aos olhos do Pai
Alguém igual a você
Não vi jamais


   Foi na escadaria, bem em frente à minha residência. Ela estava deitada em cima da tampa do esgoto e infelizmente não teve como levá-la até a ambulância, porque não dava mais tempo, e o parto foi realizado ali mesmo. 
   Por volta de 2:25hs da madrugada, nasceu um bebê do sexo masculino, o qual no momento que nasceu, estava roxinho porque nasceu com o cordão no pescoço e, imediatamente, ela tirou o cordão do pescoço e ficou fazendo massagem nas costinhas dele até ele chorar.
  Graças a Deus ele chorou, deu tudo certo. Depois o esposo dela pegou-a no colo e colocou-a na ambulância após cortar o cordão umbilical dele. Foi pedido então o bisturi, então abri e dei o bisturi e ajudei com os acessórios, porque ela(enfermeira) estava sozinha. Só vem na ambulância da Cegonha, só estava ela e o motorista. O motorista ficou lá embaixo porque a cena não convinha ficar. Ficamos eu, a Francisca, como identifiquei, a enfermeira, a sua cunhada Jéssica e minha outra vizinha Valdirene ajudando-a nesse momento. 
Nunca deixe alguém dizer
Que não é querida
Antes de você nascer
Deus sonhou com você
Você é linda demais,
Perfeita aos olhos do Pai
Alguém igual a você
Não vi jamais

   Foi o primeiro filho dela. Ela tem menos de 1(hum) ano que mora aqui no Rio de Janeiro e uma cena que não é de costume ver todos os dias. Fico feliz por ajudá-la e participar de um momento tão importante na vida dela, que o nascimento do seu primeiro filho. E eu sinto que, o que me deu mais segurança, não foi só pelo fato de eu ser vizinha dela, mas se eu não trabalhasse aqui na Clínica, eu não a conheceria, porque ela raramente sái de casa e é raro nos vermos na comunidade. Então o motivo inicial pra mim, nessa hora foi conhecê-la pelo fato de estar aqui, algumas vezes, na baia, quando ela vinha às consultas de pré-natal. E ter feito o cadastro dela quando a Agente de Saúde dela estava de licença maternidade. Então é isso! Fiquei feliz por participar deste momento e, na oportunidade que a enfermeira perguntou quem poderia segurar o bebê, Claro, fui Eu! Então Beijo!


Aos olhos do Pai,

Você é uma obra prima
Que Ele planejou,
Com suas próprias mãos pintou

* Os cadastrados tiveram seus nomes alterados para preservar a sua integridade.
* Musica citada: Aos Olhos do pai - Min. Diante do Trono



Agente Comunitária de Saúde Kizzes Daiane de Jesus
Email: equipeteles@gmail.com

Nesta História foi usado Nome fictício e as fotos é mera ilustração,para preservar a imagem do Cadastrado.

Obrigado a todos.

12 de nov. de 2013

"Sou como Sou"

História Relatada pelo Agente Comunitária de Saúde Renata Nascimento
   Hoje, a nossa Clínica da Família continua com a série de relatos sobre as histórias dos maiores beneficiados da nossa unidade: Os Cadastrados. E para começar essa série de relatos, nada melhor do que uma história de conscientização e superação;

Tem que ser branco
Tem que ser alto
Tem que ser magro
Tem que ter saldo no banco

   Algo mais está machucando você — e é por isso que você precisa de maconha ou uísque, ou chicotes e roupas de borracha, ou ouvir música tão alto que não consegue nem pensar.” — Charles Bukowski, em Tales of Ordinary Madness

   Ele seguia caminhando pelas calçadas do bairro, pensativo, logo depois de se despedir de mim, com um beijo no rosto e um abraço.
“— Você não quer ir comigo?”, perguntei
“— Não, obrigado”, respondi. “Vou pegar um táxi na rua.”
   Assim, seguimos em direções opostas, cada um em seu caminho. Passei mais alguns cadastrados, mas sequer acenei. Ao invés disso, segui caminhando, com as mãos metidas nos bolsos, a mochila nas costas. Acabara de ouvir um relato que mudaria a minha vida.
   Meus pensamentos iam longe e não pairavam somente sobre o nosso encontro, que acabara de se suceder — não porque não tenha sido importante, que fique claro, mas pela simples natureza associativa da mente. Por alguma razão, rodava em minha cabeça uma incessante retrospectiva do mês de Julho, que encerrara havia poucos dias.

Tem que ser sábio
Tem que ser hétero
Tem que ter cabelo
Tem que ter carro do ano

    Ali, caminhando solitária na calçada escura, me lembrei de Olavo, com quem estive por duas vezes visitando esse mês.
   Terminamos por nos encontrar, Olavo e eu, na esquina da Cândido Benício. Com seus longos cabelos pretos presos atrás das orelhas, Olavo coçava as narinas ao sair e entrar, por algumas vezes, do toalete.
    E o mesmo ritual se repetiu no encontro seguinte. Já achava meio estranho o fato de coçar demais o nariz e sempre andar com olhos avermelhados.
    O nosso segundo encontro não seguiu como esperávamos. A segunda visita, a casa vazia, não havia ninguém. Olavo logo se despediu e eu fui segui para a clínica. Assim fomos criando vínculos, laços. Me afeiçoei a Olavo, afinal de contas, moravam ele e dona Judite, sua mãe.
   Aos poucos, ele foi me contando mais sobre ele, e a cada visita, fui conhecendo melhor esse ser intrigante. Ele me revelou ser homossexual e ter um relacionamento de alguns anos com um rapaz que foi para o Haiti com o exercito.

Tem que ser bilingüe
Tem que ser beautiful
Tem que ser formado
Tem que ter cartão de crédito

    Olavo sempre foi muito carinhoso e sempre demonstrou ser talentoso. Possuía um incrível talento para as artes e para a pintura. Ao passar dos tempos, fui reparando que Olavo começou a mudar e a silenciar mais. Nem com as minhas visitas ele se abria comigo para conversar.
   Até que dona Judite conversou comigo e me explicou o que se passava. Olavo tentava se afastar de mim pois achava que eu estava ao seu lado puramente por pena, por ser portador do vírus HIV.
   De inicio foi um choque para mim, Para dizer a verdade, até agora não sei como me senti. Acho que nesse momento cada sensação do meu corpo ficou gelada, principalmente os sentimentos, porque não existia dor, nem bronca, nem lágrimas, nada. Estava intumescida. Suponho que ainda pensava que não era verdade mas depois me coloquei no lugar dele e entendi que ele usou isso como defesa.
   Aprendi a jogar exatamente igual a ele: comecei a escrever poesias e mandar pela mãe dele. E a cada semana eu mandava novas mensagens. Assumo, nunca fui muito boa, sempre pegava da internet e mandava pra ele. Assim fui conquistando meu lugar de volta.

Quer saber? Sou como sou
Não quero me encaixar em nenhum padrão
Pode crer, sou como sou
Não preciso ser galã de televisão.
(Eu não, eu não)

   Um belo dia, ao tocar a campainha de sua casa, fui recebida por ele, com os olhos cheios de lágrimas. Ele em abraçou, e chorando, me falou “Tento enfrentar as coisas com coragem, bem firme sobre as minhas duas pernas, mas às vezes sinto que não posso mais e tenho vontade de me suicidar. Minha mãe me disse que não chore, que tem muita gente como eu e que estão enfrentando a situação com valor. Não acreditei nela. Depois minha mãe me entusiasmou para que viesse a esta porta, e quando abro, dou de cara com você. Vi muitas pessoas na mina situação que riem, sorriem, vivem bem e trabalham juntas. Eu pensava que era a única pessoa que sofria pelo HIV. Agora me sinto mais inspirado. Quero ter certeza de que o que aconteceu comigo não aconteça nunca a nenhuma outra pessoa. Sou grato pela sua tentativa de se aproximar.

Tem que ser malhado
Tem que ser católico
Tem que ser bem dotado
E nada de cabelo branco

   Mesmo sendo uma situação complicada a ser enfrentada, entendo que é sempre melhor saber da infecção do que viver na dúvida. E por isso conversei abertamente sobre a doença. Fugir pra que? Nos meses anteriores à descoberta, ele não estava bem de saúde. Rinite, sinusite, gengivite, dermatite, rosácea, constantes febres, tosses intermináveis… Tinha acabado de fazer 20 anos e, inocentemente, imaginei que todos aqueles problemas de saúde fossem por causa da idade. Para ele,era como se estivesse sendo avisado de que a saúde não era mais como antigamente. Sempre foi a alergologistas, dermatologistas, otorrinolaringologistas… Vários deles passaram medicações para controlar aqueles sintomas, mas somente o Médico da Clínica da Família teve a sensatez de conversar abertamente sobre o assunto e solicitar a realização do temido exame.
   Até hoje, ele tem muita gratidão ao médico de família pelo profissionalismo e carinho que teve naquele delicado momento. Ele foi bastante cuidadoso nas palavras e mostrou que algo estava muito errado nos exames de sangue. O CD4 estava baixíssimo, ou seja, o corpo estava com “poucos soldados” para se defender de possíveis invasores!


Olho pela janela e não é o que vejo não
Seria muito mal se fosse essa a situação
Chega de preconceito e viva a união
De toda raça, toda cor, sexo e religião


   Olavo, conta com lágrimas nos olhos que se lembra daquele momento como se fosse hoje: “Quando abri o exame eu estava sozinho. Acessei o site do laboratório, vi o resultado e senti um misto de sentimentos que não saberia explicar. Naquele momento, a história da minha vida passou como um filme na minha cabeça e eu só imaginava como seria a partir dali. Confesso que não chorei, mas tive medo de morrer. Meses antes, tinha sido abalado pela morte de dois conhecidos (por esse motivo) e descoberto que eu conhecia outros três portadores do vírus: um grande amigo e dois conhecidos. Cheguei a cogitar não contar nada a minha mãe, mas mudei de ideia, pois sabia que eu não conseguiria segurar aquela barra sozinho. Quase não dormi naquela noite e, logo ao acordar, parti para a casa. Esse momento foi o mais triste da minha vida. Minha mãe se derramavam em choro e me abraçava inconformada. Ninguém me culpou de nada. Só decidimos que, a partir daquele momento, aquele seria nosso maior segredo.”
   Hoje, um ano após iniciar o tratamento aqui na clínica, podemos dizer que ele é outra pessoa. Saúde de ferro. Todas as taxas sanguíneas equilibradas, vem se alimentando melhor, praticando exercícios físicos com regularidade… O próprio Olavo, deixa uma mensagem a vocês: “Se me pedissem um conselho, eu falaria o seguinte: previna-se, mas faça o teste regularmente. O tratamento é chato, mas só assim, você poderá voltar a ter qualidade de vida, sem problemas de saúde.”


Quer saber? Sou como sou
Não quero me encaixar em nenhum padrão
Pode crer, sou como sou
Não preciso ser galã de televisão.


* Os cadastrados tiveram seus nomes alterados para preservar a sua integridade.

* Musica citada: Sou como sou - Preta Gil



Agente Comunitária de Saúde Renata Nascimento

Email: equipeteles@gmail.com

Nesta História foi usado Nome fictício e as fotos é mera ilustração,para preservar a imagem do Cadastrado.

Obrigado a todos.

5 de nov. de 2013

" Vagalumes "

História Relatada pelo Agente Comunitária de Saúde Valéria de Oliveira
   Hoje, a nossa Clínica da Família continua com a série de relatos sobre as histórias dos maiores beneficiados da nossa unidade: Os Cadastrados. E para começar essa série de relatos, nada melhor do que uma história de conscientização e superação;

Vou caçar mais de um milhão de vagalumes por aí,
Pra te ver sorrir eu posso colorir o céu de outra cor,
Eu só quero amar você,
E quando amanhecer eu quero acordar
Do seu lado.

     Hoje quero compartilhar aqui uma linda história de amor, fé e superação: a história da minha querida cadastrada Mirian e da família dela. Vou deixá-la contar com as palavras dela, palavras com que escreveu um texto emocionante. É maravilhoso poder compartilhar de perto essa vitória e poder acreditar no ser humano. Também tenho certeza que esse exemplo vai ajudar muitas pessoas a irem em frente, a seguirem sua intuição e a agirem com amor
Oie! Sou a Mirian, tenho 27 anos, casada com o Luiz Cláudio e mãe de uma linda menina de um ano e 7 meses, a Flavia. Quando a Valéria, minha agente, comentou de escrever a minha história por aqui fiquei super feliz e nervosa ao mesmo tempo. Mas acho que a minha experiência pode ajudar muitas mamães, então achei muito importante compartilhar.

Vou escrever mais de um milhão de canções para você ouvir

Que meu amor é teu, teu sorriso me faz sorrir,
Vou de Marte até a Lua, cê sabe já tou na tua,
Não cabe tanta saudade essa verdade nua e crua,


    Flávia nasceu no dia seis de junho de 2011, em um parto LINDO, emocionante, depois de uma gravidez maravilhosa e muito desejada, acompanhada na Clínica da família, com o pré natal em dia e as visitas realizadas pela minha agente mensalmente, na qual aproveitei cada segundo e cada chute da minha pequena. Nasceu super saudável, tomou banho de luz por um dia, e fomos para casa.
    Sempre foi MUITO boazinha…acho que só a ouvimos chorar pela primeira com 2 ou 3 meses. Dormiu a noite toda desde o primeiro mês e mamou no peito exclusivo até 6 meses. Atingiu todos os marcos de desenvolvimento até, mais ou menos, 8 meses.

Eu sei o que eu faço, nosso caminho eu traço,

Um casal fora da lei ocupando o mesmo espaço,
Se eu to contigo não ligo se o sol não aparecer,
É que não faz sentido caminhar sem dar a mão pra você,


      Na consulta do 8º mês, falei com o médico da minha equipe sobre uns movimentos repetitivos que ela apresentava nos pés. Algo me dizia que era neurológico, e meu médico pediu para observar por um mês e ver quando ela fazia esses movimentos.
    Seguimos nossa vida, sempre recebendo a nossa agente na nossa residência, acompanhada em horas da Técnica de Enfermagem, oras do Enfermeiro, oras sozinha. E, em março, fomos passar um feriado na fazenda de uma amiga querida. No domingo, chegamos em casa e, como todo fim de semana, peguei a uma revista para ler depois que a Flávia dormiu. E, nesse momento, senti um frio na espinha que jamais vou esquecer. Estava lendo uma reportagem sobre autismo, e sobre a importância do diagnóstico e intervenção precoce.
    Minha filha tinha TODOS os sintomas apresentados na reportagem, TODOS! Nunca fez contato visual ao mamar, apresentava movimentos repetitivos com os pés, não dava tchau, não mandava beijos e não apontava aos 9 meses, ficava muito tempo concentrada em um detalhe de um brinquedo, não respondia ao nome, e não esboçava nenhuma reação quando eu ou o pai voltávamos do trabalho. Era tão quieta que muitas pessoas falavam: “nossa, mas ela é tão boazinha, brinca sozinha, acho que não é normal!“
    Na hora, fui falar com meu marido que, de primeira, achou que eu era louca. Aí, li os sintomas e lembro da mudança na feição dele… Falei com o médico e ele, imediatamente, me encaminhou para um neuro e um psiquiatra.

Teu sonho impossível vai ser realidade,

Sei que o mundo tá terrível mas não vai ser a maldade que
Vai me tirar de você, eu faço você ver,
Para tu sorrir eu faço o mundo inteiro saber que eu...


    Foi aí que as lágrimas começaram a escorrer sem parar. Aquilo era real, não era uma “nóia de mãe.” Em meio às lágrimas, entrei na Internet e comecei a pesquisar loucamente, e rapidamente em lembrei da minha agente comunitária, que sempre vinha na minha casa e poderia me dar uma ajuda, um apoio, uma palavra amiga. Esperei ela chegar na minha casa e a recebi chorando, pedindo para entender um pouco mais disso tudo. E ela, sempre muito dócil e gentil,  acalmou meu coração, falou que tudo ia dar certo. Na segunda-feira cedo, fui trabalhar, mas a cada meia hora, me levantava para ir no banheiro chorar. Não entendia direito o que estava acontecendo, uma avalanche de sentimentos, dúvidas, e medo, muito medo, e muita insegurança. E, nesse período, meus pais estavam viajando, e mesmo de longe tentaram me dar toda a força do mundo.
    Chegou o dia da consulta e fui com um nó na garganta. O neuro examinou, brincou, chamou e, no final, pediu para tirarmos a Flavia da sala para conversar conosco. A conversa foi mais ou menos assim: “Mãe, se fosse minha filha eu colocaria na terapia JÁ. Ela tem, sim, alguns sintomas. Quanto mais precoce for a intervenção, melhor será a evolução. E, se ela não tiver nada, mal não vai fazer.”  Nessa hora, eu não sabia se chorava mais, se perguntava um milhão de coisas, se saía correndo da sala para agarrar minha pequena… No fim, nem me  lembrei das MILHARES de perguntas que tinha para fazer .

Vou caçar mais de um milhão de vagalumes por aí

E para te ver sorrir eu posso colorir o céu de outra cor
Eu só quero amar você
E quando amanhecer eu quero acordar
Do seu lado


     Perguntei sobre o futuro. SE ela estivesse no espectro, como seria o futuro? Ela seria feliz? E a resposta foi: “Não sei te dizer. Cada criança é diferente, e a evolução de cada uma delas é diferente também.”  E foi aí que percebi que o mais difícil de TODA essa caminhada seria a incerteza.  Ainda mais para mim, que sou uma pessoa super ansiosa, prática, que gosta de planejar tudo.
   No mesmo dia, liguei e agendei a avaliação com a terapeuta para aquela semana. A Flavia iniciou aos 9 meses. As terapeutas foram MARAVILHOSAS, sempre muito carinhosas, e fazíamos reuniões para falar da evolução da Flávia e entender melhor como podíamos colaborar em casa. E mesmo assim eu continuei a acompanhar na clinica da família e com a minha agente visitando.  E, dia a dia, percebemos a evolução. O primeiro sinal – e mais marcante para mim – foi que os movimentos estereotipados pararam. Aos poucos, foram diminuindo e, um dia, percebi que ela não fazia mais! Ao longo dos meses, a melhora foi incrível, e a cada dia que passava eu ficava mais ansiosa pelo retorno ao neuro.

Para ter o teu sorriso descubro o paraíso

É só eu ver sua boca que eu perco o juízo por inteiro,
Sentimento verdadeiro eu e você ao som de Janelle Monáe,
Vem, deixa acontecer


   E dia 23 de novembro chegou mais rápido do que eu esperava. Eu e meu marido levamos a Flávia ao neuro bastante otimistas, mas sempre com aquele frio na barriga. Chegamos ao consultório, e o nosso querido médico conversou conosco sobre a evolução da Flávia. Fez diversas perguntas e, em seguida, começou a examinar e brincar com ela. Nos sentamos novamente na mesa e ele nos disse: “Bom, não preciso falar nada, certo?”. Eu e meu marido olhamos um para o outro na hora e respondemos: “CLARO que precisa!” hahaha. Tínhamos entendido que eram boas notícias, mas queríamos ouvir com todas as letras.
   Ele falou que ela não tinha nada, mais nenhum sinal. Deixou claro que nunca iríamos saber se ela não estava no espectro ou se estava (de forma leve) e a intervenção precoce ajudou a reverter. Eu tenho certeza que a intervenção precoce foi o que mudou o diagnóstico da minha filha. Ela tinha alguns comportamentos muito típicos que sumiram.

Me abraça que o tempo não passa quando cê está perto,
Dá a mão e vem comigo que eu vejo como eu estou certo,

Eu digo que te amo cê pede algo impossível,
Levanta da sua cama hoje o céu está incrível.


   E aí vem a parte mais linda de tudo isso. Eu me envolvi com muitas mães especiais, mergulhei nesse mundo de cabeça e de peito aberto. E minha vida mudou com tudo isso. Mudei a forma de ver o mundo, mudei a forma de observar pessoas, aprendi a não julgar, aprendi a conhecer, aprendi a lidar com pessoas especiais, descobri um mundo lindo de pessoas que se ajudam e apoiam e que me fizeram acreditar na humanidade novamente.
   Tem muita gente preconceituosa e horrível nesse mundo. Mas tem muita gente maravilhosa, generosa e disposta a ajudar também. Descobri, também, o que é o amor incondicional de mãe de verdade, que ama MAIS e MAIS a cada dificuldade, que só pensa na felicidade do filho, que se preocupa com as dificuldades que ele vai ter que enfrentar e que está disposta a mudar o mundo para que tudo fique mais fácil para ele. Hoje, quero retribuir todo o carinho e amor que recebi nessa curta mas importante jornada. Espero poder fazer por outras mães o que a Valéria, meu marido, minha mãe, meu pai, meus avós, os médicos da Clínica da Familia, as terapeutas, e meus amigos fizeram por mim! E ajudar a deixar o mundo melhor para os nossos filhos!
    Por fim queria agradecer MUITO a Valéria por todo o apoio e carinho em todo o processo! Fez toda a diferença na minha vida! Obrigada de coração!

Vou caçar mais de um milhão de vagalumes por aí,

E para te ver sorrir eu posso colorir o céu de outra cor,
Eu só quero amar você,
E quando amanhecer eu quero acordar
Do seu lado.


* Os cadastrados tiveram seus nomes alterados para preservar a sua integridade.
* Musica citada: Vagalumes - Pollo (Part. Especial Ivo Mozart)



Agente Comunitária de Saúde Valéria Carvalho
Email: equipeteles@gmail.com

Nesta História foi usado Nome fictício e as fotos é mera ilustração,para preservar a imagem do Cadastrado.

Obrigado a todos.

29 de out. de 2013

"Tua Família"

História Relatada pelo Agente Comunitária de Saúde Marcilene Boa Ventura

Hoje, a nossa Clínica da Família continua com a série de relatos sobre as histórias dos maiores beneficiados da nossa unidade: Os Cadastrados. E para começar essa série de relatos, nada melhor do que uma história de conscientização e superação;


Percebe e entende que os melhores amigos
São aqueles que estão em casa, esperando por ti

Acredita nos momentos mais difíceis da vida
Eles sempre estarão por perto, pois só sabem te amar

   Meu esposo teve AIDS ainda quando jovem. Ele não sabia que era soropositivo quando vivíamos juntos. Comecei há notar alguns anos depois que ele estava ficando muito doente e eu estava perdendo peso com facilidade entre outros problemas. Fiz o pré-natal e descobri que tinha a doença. Tive AIDS com meu marido.

E se por acaso a dor chegar, ao teu lado vão estar
Pra te acolher e te amparar
Pois não há nada como um lar
  
 Além do abalo, minha preocupação era com meu filho que iria nascer para não contrair a doença. Muitas vezes fiquei muito deprimida por causa de minha situação, Meus amigos não queriam aproximação comigo. Houve momentos em que quando eu chegava no ambiente onde eles (amigos) estavam, muitos falavam para se afastar de mim porque eu estava com AIDS. Tive a doença com um homem que eu sabia quem era e que tinha escolhido para a minha vida e mesmo assim, eles em chamavam de promíscua, .

Tua família, volta pra ela
Tua família te ama e te espera
Para ao teu lado sempre estar
Tua família, volta pra ela
Tua família te ama e te espera
Para ao teu lado sempre estar
   
  Desde que comecei a morar no Campinho, Minha agente sempre acompanhou a minha situação, sem preconceitos ou sem distanciamento, pois era o que eu tinha mais próximo de uma família. Ela sempre me ajudou trazendo sempre uma palavra de ânimo me orientando sobre uso de preservativos, medicação entre outros assuntos. Orientando a buscar a marcação de consultas e exames regulares.

Às vezes muitas pedras surgem pelo caminho
Mas em casa alguém feliz te espera pra te amar
Não, não deixe que a fraqueza tire a sua visão
Que um desejo engane o teu coração
Só Deus não é ilusão

    Passei a tomar medicamentos e meu bebê nasceu saudável. Tive três filhos e todos eles moravam comigo, um casal de gêmeos e Tive muito medo quando tive que contar o meu problema ao meu filho mais velho que mandei ele para morar com a minha família, em Recife. Minha família não vem me ver e nem meu filho. Nos falamos apenas por telefone e quando eu mesma ligo. Faz tanto tempo que não vejo meu filho que acho que ele não me reconheceria a primeira vista..
 
E se por a caso a dor chegar, ao teu lado vão estar
Pra te acolher e te amparar
Pois não há nada como o lar

  Ele sabia que tinha a doença, mas não me disse nada. Pensei que ele iria me abandonar, Ele me disse depois que estava com vergonha de me dizer a verdade. Quando descobriu que eu estava grávida dos gêmeos, meu filho me abandou com as crianças, mas ele se arrependeu e quando voltou me abraçou tão forte, como se fosse a primeira vez que nos abraçávamos e disse que enfrentaríamos tudo juntos. Meu filho cresceu e hoje está com 17 anos. Ele participa de uma ONG e dá palestras sobre drogas e DST. Meu marido morreu para a nossa tristeza, mas graças a Deus continuo viva  e quero juntar dinheiro para comprar uma casa para meus filhos sairmos do aluguel.

Tua família, volta pra ela
Tua família te ama e te espera
Para ao teu lado sempre estar
Tua família, volta pra ela
Tua família te ama e te espera
Para ao teu lado sempre estar

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Uma lição de vida para todos nós e até a próxima.
* Os cadastrados tiveram seus nomes alterados para preservar a sua integridade.
* Musica citada: Tua Família - Anjos de Resgate

       
Agente Comunitária de Saúde Marcilene Boa Ventura
Email: equipecampinho@gmail.com


Nesta História foi usado Nome fictício e as fotos é mera ilustração,para preservar a imagem do Cadastrado.

Obrigado a todos.

15 de out. de 2013

"Drão"

História Relatada pelo Agente Comunitária de Saúde Rafael Moura

Hoje, a nossa Clínica da Família continua com a série de relatos sobre as histórias dos maiores beneficiados da nossa unidade: Os Cadastrados. E para começar essa série de relatos, nada melhor do que uma história de conscientização e superação;

Drão!
O amor da gente
É como um grão
Uma semente de ilusão

    Reproduzimos as falas do depoimento diretamente da fonte, para não perder nenhum momento. Gente, quantas informações que estou até tonta... rs.. tomara que eu não esqueça de nada... a um certo tempo atrás, fiquei preocupada, afinal de contas a minha menstruação estava atrasada a 3 meses. Marquei consulta com o Dr. Marcos e como sempre, a consulta como sempre com o Dr. Marcos Marzollo foi maravilhosa...mas nesse dia em especial foi meu primeiro pré-natal... Ai ai ai que ansiedade pra ser atendida logo..rs... Entrei na sala e ele foi dizendo "sobre o que iremos conversar hoje?", esse médico é tão especial, deixa qualquer paciente a vontade, depois disso deslanchou.. rs... danei a falar como louca... aliás tinha tantas perguntas... rsrsrs... 
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura
Quem poderá fazer

   Foi muito especial, nossa quando eu imaginaria que estaria em frente a um médico, recebendo   orientações e conselhos pois estou grávida...ai que tudo de bom. Me passou ultra som para ser realizado, por que ai dará pra ver alguma coisa do bebe e não apenas o saco gestacional (ai não vejo a hora) , me pediu também Urocultura e Antibiograma.
Falou que a data do parto será entre Natal e Ano-Novo. colocou no papel dele 01/01/2014... ai seria tão legal se fosse nessa data mesmo..e ainda brincou "meu Deus Natal e Ano Novo eu sempre me lasco.. rsrs... mas estarei lá pra fazer seu parto.. rs"
   Hidrogisnástica liberadaaaa pra ontem... uhuuuuuuu... só pediu pra antes eu levar o ultra som pra ele e depois la vamos nós 2 ou sera 3?? pra água se exercitar...rs....
Sendo assim, já que o ultra som é para o dia 10/05, remarquei com o meu agente para o dia 17/05 ás 09:30 dessa vez o papai poderá ir junto...Hoje ele estava trabalhando, tadinho ficou chateada, mas eu preocupada com as dores que eu tive trabalhando não ia conseguir esperar 2ºfeira...mas o papai já falou que quer participar de tudo, matérias que eu ler, exames, consultas... tudo... não teria homem melhor pra Deus colocar na minha vida e ser o papai do meu pimpolho ou minha pimpolha... 

Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela estrada escura...
   Então, fui orientada pelo meu agente a enxugar tudo, principalmente doces, massas, fritura. Disse que grávida deve comer com qualidade e não quantidade. Abusar de legumes (tarefa difícil, mas vou tentar)... frutas. Fui orientada a ter mais cuidado com o meu trabalho, e precisava relaxar e curtir a gravidez... afinal de contas, meu filho em primeiro lugar né?
   Procurei saber e estou liberada para curtir meu marido, desde que não seja com malabarismo... kkk... ou que tenha o peso em cima da barriga...
   A atividade que eu mais curtia, a DANÇA DO VENTRE, já eras, proibida. Ainda insisti "nem depois dos 3 meses?", e ele "neem"...É ainda restava uma esperança que ele liberaria, mas agora jamais... agora só depois que meu bebê nascer e se for menina, é certeza que vai junto com a mãe abalar tudo...rsrsrs 


  Drão!
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
  Quanto a DEPILAÇÃO, estou proibida, ele falou que é proibido depilação que cause algum tipo de dor, cera quente, rollon por que aumenta o nível de adrenalina no sangue e consequentemente ocorre contração do útero... agora eu e a “giletona” seremos mais que amigas...que horror..kkkk
   
 Estende-se infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer
    Ai estou radiante de felicidade...não cabe tamanha felicidade em mim. Antes mesmo de eu pensar em engravidar eu sempre quis engravidar no mês de abril por alguns motivos
   Depois desse momento, vivi a minha gravidez, que foi se complicando. Mas quando nasceu meu príncipe, eu estava morrendo de felicidade. Quando eu fui visitada, logo após o nascimento do meu filho, eu não estava em casa porque ele ainda ficou mais 15 dias no hospital. O meu agente já estava a postos. Gostei muito, mesmo, de ter sido visitada pelo agente de saúde. Fiquei mais tranquila. Falei sobre o parto e como foi no hospital. O que eu mais gostei, porque vi que se interessam pela gente.  
 
 Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Cama de tatame
Pela vida afora
    Achei ótimo que já me trouxeram a consulta agendada para o dia seguinte. De qualquer maneira, mesmo que eu não tivesse sido visitada, teria ido consultar. A gente sabe que existem algumas mães que acham que, como o bebê saiu há pouco do hospital, não é preciso consultar em seguida no posto. Consultei no sexto dia após o nascimento do meu bebê. 

Drão!
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
   Eu estava um pouco perdida: é o meu primeiro filho, Tinha muitas duvidas Queria que fosse falado sobre os cuidados com o bebê, principalmente de como cuidar do umbigo, que é uma coisa que me deixava com muito medo. Já fui até lá, fiz o teste do pezinho no meu filho, apliquei a vacina BCG nele e hoje mesmo estou indo consultar. Gostei muito de como fui atendida.
    Durante a consulta, achei importante ter sido questionada sobre como eu estava me sentindo, como estava amamentando e quais eram os hábitos normais do bebê, principalmente de sono e de horário livre para amamentação

Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão
drão!
Uma lição de vida para todos nós e até a próxima.

 * Os cadastrados tiveram seus nomes alterados para preservar a sua integridade.
* Musica citada: Drão - Gilberto Gil

       
Agente Comunitária de Saúde Rafael Soares Moura
Email: equipepadremanso@gmail.com


Nesta História foi usado Nome fictício e as fotos é mera ilustração,para preservar a imagem do Cadastrado.

Obrigado a todos.

8 de out. de 2013

" Xô preguiça"

  História Relatada pelo Agente Comunitária de Saúde Victor Paulo
       Hoje, a nossa Clínica da Família continua com a série de relatos sobre as histórias dos maiores beneficiados da nossa unidade: Os Cadastrados. E para começar essa série de relatos, nada melhor do que uma história de conscientização e superação;

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   A atividade física entrou cedo na minha vida, aos 12 anos. Eu tinha o corpo pouco desenvolvido e resolvi fazer ginástica e exercícios em aparelhos. Mas isso só durou até os 18 anos, quando comecei a trabalhar. 

Xô preguiça
Pra começar o seu dia
Com mais disposição
Thururu thururu

    Minha jornada era pesada, quase 14 horas todos os dias; eu dava aula de manhã e à noite para complementar o salário. Para piorar, fumei dos 20 aos 35 anos, um maço por dia. Felizmente eu não bebia e minha alimentação era mais ou menos saudável, não por consciência e sim por acaso, nunca gostei de álcool e de comidas gordurosas. 

Faça um bom exercício
De respiração
Thururu thururu
 

    De qualquer forma, cheguei aos 68 anos com o peso controlado, mas me sentindo pesado e sem disposição. Não havia dúvida de que a atividade física estava fazendo falta.

   Comecei a frequentar a Clinica da família, onde fazia acompanhamento das minhas taxas sanguíneas e participava das consultas mensais. Ate conhecer a Priscila e o grupo do Alongamento semanal. Primeiro fazia essas atividades. Caminhada de 30 minutos ate a unidade, depois uma hora de alongamento e depois voltava com mais alongamento. Depois comecei a  participar dos grupos de idosos, cuidando de quem cuida e hipertensão e manter as atividades dentro desses grupos. 

Respire bem fundo, Até encher seu pulmãozinho
Em seguida vai soltando o ar devagarinho
Não tenha pressa, Faça tudo sem se cansar
Arranje um espaço pra você se movimentar
Thururu thururu
 

   Estimulado pela educadora física, voltei a praticar atividades físicas. Entrei para uma academia e comecei a praticar hidroginástica e natação. Esse ano,  mudei de academia e, como a piscina não estava pronta, me encaminharam para a musculação. Adorei e não parei mais.

   Hoje, sigo um programa de treino rígido, acompanhado por profissionais: segunda e sexta, alongamento e musculação; terça e quinta, natação; e quarta, musculação. Quando comecei, eu pesava 76 kg, hoje tenho 64 kg. 

Descole uma musica alegre e põe pra tocar, Thururu thururu
Mexa seu corpinho e acompanhe cada bit
Não se esforce muito, obedeça seu limite
Levante cedinho não deixe a preguiça te pegar
E canta
 

    Passei a competir nas provas de 100, 200 e 400 metros nado livre, categoria 80 mais. Nos últimos três anos, fui consagrado campeão por tempo. Como está minha saúde? Muito bem. Sinto-me melhor que antes, durmo oito horas por noite e tenho disposição para tudo. Saio da academia com uma canseira gostosa e lépido como nunca! Atribuo minha boa condição física à herança genética - meu pai chegou em ótimas condições aos 96 anos - e, claro, ao exercício regular e ao estímulo dado pelo meu agente de Saúde e pela educadora física.

Xô preguiça xô preguiça
Se ela quiser te pegar
Xô preguiça

Xô preguiça xô preguiça
agora eu não posso parar
Sai fora

 O melhor de tudo é que tenho metas a alcançar, objetivos que me impulsionam para a frente: se tudo der certo, pretendo disputar provas internacionais quando chegar aos 90 anos. Vontade e garra não me faltam!"


Uma lição de vida para todos nós e até a próxima.

 * Os cadastrados tiveram seus nomes alterados para preservar a sua integridade.
* Musica citada: Xô preguiça - Eliana

       
Agente Comunitária de Saúde Victor Paulo Gusmão Cadilhe
Email: equipeteles@gmail.com


Nesta História foi usado Nome fictício e as fotos é mera ilustração,
para preservar a imagem do Cadastrado.

Obrigado a todos.

Infográfico

6 Grupos de Saúde
em nossa unidade.
2,450,000 Metros Quadrados
é o tamanho da nossa área de abrangência.
14133 Usuários
beneficiados por nossa unidade.

Como eu Faço

Como eu Faço
Visita domiciliar, acolhimento e atividades de grupo
Vai Acontecer
Grupos e ações promovidos pela unidade que irão acontecer.
Conheça esta história
História contada por um ACS
Saúde nas Escolas
Integração com as escolas e creches locais.
Protagonismo Juvenil
Grupo de adolescentes que apóiam as ações de promoção da saúde existentes na unidade.
Integração
Saúde da Família e Vigilância em Saúde.
Integração
Ensino-Serviço-Comunidade
Academia Carioca
Processo de trabalho e os principais resultados obtidos pelos educadores físicos.

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